segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Varnhagen o Heródoto Brasileiro, por José Carlos Reis

Francisco Adolfo de Varnhagen, considerado o Heródoto brasileiro, escreveu uma história  do Brasil  baseada na continuidade da colonização portuguesa, feita por homens brancos , católicos e monarquistas.

Fichamento: William Cirilo Teixeira Rodrigues
Anos 1850: Varnhagen: O elogio da colonização portuguesa.
Varnhagen, “Heródoto do Brasil”.
 (P.23) Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878) é considerado o fundador da história no Brasil.
Apesar de alguns autores, como Robert Southey (1810) entenderem um futuro sombrio quanto às futuras possibilidades da colonização portuguesa no Brasil, Varnhagen e o IHGB acreditavam no sucesso dessa nação.   (...)
Em 1850 Varnhagen escreveu a obra História Geral do Brasil, superando obras anteriores refletindo uma nova preocupação no Brasil com a história. Essa obra foi possível porque as condições históricas do Brasil, o processo da independência política e a constituição nacional amadureceram nos anos 1850.
(P. 24) Varnhagen desenhará o perfil do Brasil independente e o oferecerá à nova nação um passado, a partir do qual elaborará um futuro.
(P. 25) Seu amor pelo Brasil se confundia com a sua fidelidade à família real portuguesa. Defendia um Brasil português, com o imperador.
Varnhagen, o IHGB e Von Martius.
O imperador precisava de historiadores para legitimar-se no poder. A nação recém-independente precisava de um passado do qual pudesse se orgulhar e que lhe permitisse avançar com confiança para o futuro.
(P. 26) O IHGB produziu uma história biográfica, construindo uma galeria de vidas exemplares que iluminavam a ação futura. O novo país precisava reconhecer-se geograficamente e historicamente.
O Brasil procurou os franceses como referência intelectual. O IHGB será o lugar privilegiado da produção histórica durante o séc. XIX, lugar que condicionará as reconstruções históricas, as interpretações, as visões do Brasil e da questão nacional.
(P. 28) Varnhagen e seus críticos.
As várias críticas feitas a História Geral do Brasil, posteriormente (1854-1857) são discordantes.
J.H. Rodrigues, A. Canabrava e P.M. Campos não economizavam elogios a obra de Varnhagen. (P. 29) N. Odália discordava totalmente dos autores acima.
(P. 30) Capistrano de Abreu, mais próximo de Varnhagen no tempo e no tipo de história, reconhece numerosos problemas em sua obra. Apesar de tudo, considera que a sua obra se impõe ao nosso respeito, exige a nossa gratidão e mostra um grande progresso na maneira de conceber a história pátria.
(P. 31) O que o Brasil queria ser? Eis a primeira questão da identidade. A resposta de quem podia responder, isto é as elites brancas que fizeram a independência: O Brasil queria continuar a história que os portugueses fizeram na colônia. A identidade da nova nação não se assentaria sobre a ruptura com a civilização portuguesa: a ruptura seria somente política.
(P. 32) O que o Brasil não quer ser? A resposta das elites: O Brasil não queria ser indígena, negro, republicano, latino-americano e não católico.
Esse Brasil português será defendido e produzido pelas elites brancas, pelo Estado e pela coroa. O novo país será uma continuação da colônia. A diferença é que a coroa não é mais exterior, mas interior e ainda portuguesa.
Varnhagen será o mestre dessa história do Brasil. Aristocrata, elitista, sua história prioriza as ações dos heróis portugueses e brasileiros brancos. O Brasil quer ser outro Portugal.
Varnhagen era, portanto, um historiador engajado, militante. Julgava sempre tudo e todos e justificou a dominação colonial, a submissão do povo, os direitos das elites. Ele defenderá a sociedade escravista e uma sociedade com cidadania restrita.
(P. 33) Entretanto, ao se considerar que seu livro foi escrito em 1850 e é representativo do pensamento histórico brasileiro e internacional dominante na época, pode-se concluir, que Varnhagen só representava esse pensamento do séc. XIX.

Bibliografia:
REIS; José Carlos:“As Identidades do Brasil – de Varnhagen a FHC” RJ. FGV, 2000. Pág 23-33

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